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Escrito por Pedro Luiz Moreira Lima
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O jornalista
Vasconcelo Quadros no dia 30/07/2007 realizou uma reportagem com o
nome O PESADO CUSTO DA ANISTIA ( veja aqui a reportagem na íntegra ), dizendo indenizações milionárias,
que fizeram fortunas de perseguidos políticos e ainda colossal
fortuna de R$ 28.878 milhões, se tal cifra chegou foi pelo não
cumprimento da Lei da Anistia promulgada pela Constituição de 1988 e
até hoje parcialmente atendida.
O jornalista Vasconcelo Quadros não se deu ao trabalho de conhecer a
história de cada citado em sua reportagem, ao contrário, tratou a todos
como se fossem uns aproveitadores do ERÁRIO PUBLICO usando termos
debochados e ofensivos tais como: receberam uma bolada, abocanharam
altas somas.
Entre os citados está meu pai Maj. Brig. do Ar ref Rui Barbosa Barbosa
Moreira Lima e não como na reportagem a maior indenização entre eles
foi concedida a Rui Barbosa Moreira Lima, como se fosse um qualquer e
não um homem com 88 anos de idade e quase outro tanto de SERVIÇOS
PRESTADOS ao PAÍS e continuando apesar da idade ainda a prestar! Vamos
um pouco a história do meu pai, extremamente resumida:
1º Combateu na Itália com o Primeiro Grupo de Caça (Senta a Pua)
realizando 94 missões de guerra com condecorações de bravura nacionais
e estrangeiras.
2º No Brasil foi um dos pioneiros da implantação da aviação à jato
militar, quando a FAB adquiriu 70 caças bi-reatores (Gloster Meteors)
na Inglaterra no início de 1953. Em tempo: as empresas VARIG, Cruzeiro
do Sul, VASP e Panair do Brasil somente começaram a voar jato no ano de
1954.
3º Participou da campanha do Petróleo é Nosso que resultou na criação da Petrobrás.
4º Comandou parte das tropas legalistas no Brasil Central contra os
golpistas de Jacareacanga e Aragarças, na tentativa de golpe promovido
por oficiais da Aeronáutica para derrubada do governo legítimo do
Presidente Juscelino. Após a derrocada dos golpistas meu pai os tratou
de forma respeitosa, coisa mais tarde esquecida pelos mesmos golpistas.
5º Em abril de 1964 como Comandante da Base Aérea de Santa cruz
recusou a participar do GOLPE DE PRIMEIRO DE ABRIL DE 1964, respeitando
seu juramento a NAÇÃO de OFICIAL "JURO DEFENDER ÀS INSTITUIÇÕES AO
CUSTO DA PRÓPRIA VIDA". Por cumprimento a este juramento, foi cassado
duas vezes; cassaram-lhe a carreira e a profissão, impediram - no de
voar por 17 anos. Durante os anos de chumbo foi preso três vezes ,
sendo que na última, os algozes esqueceram os regulamentos militares,
sendo preso violentamente em seu escritório por oito sargentos em
trajes civis, que se apresentaram como homens do DOI-CODI, meteram-lhe
um capuz e o levaram para uma cafua no Regimento Motorizado de
Campinhos. Não fosse por ação de ex-combatente da FEB Gal. Sinzeno
Sarmento e talvez meu pai tivesse a mesma sorte do jornalista Herzog,
assassinado no DOI-CODI de São Paulo. Meu pai tinha em abril de 1964, 45
anos com um total próximo de oito mil horas de vôo, com a experiência
de 315 hs de combate na Campanha da Itália, cerca de 3.500 hs, a
maioria no CORREIO AÉREO NACIONAL (CAN), mais de 1.500 hs de caça (500 a jato), piloto de Viscount quadrimotor turbo-hélice no Grupo de
Transporte Especial (GTE) e por aí vai. Ele e mais meia centena de
companheiros da FAB foram impedidos de voar vítimas dessa segunda
cassação, fruto de duas Portarias Reservadas, cada uma assinada por
dois ilustres Ministros da Aeronáutica da época: Brigadeiro Wanderley e
Brigadeiro Eduardo Gomes.
6º Com a nova Constituição de 1985, o Art.
181 da Constituição revolucionária de 1969, que impedia os cassados
que requeressem qualquer direito ADMINISTRATIVO ou INDENIZATÓRIO, meu
pai entrou na Justiça Comum, requerendo o direito de duas promoções que
lhe foram negadas a partir do Ato Institucional número 01: Serviço de
Guerra (94 missões de guerra na Itália e 19 de Patrulha do Atlântico
Sul) e tempo de serviço na FAB (38 anos e 8 meses). O processo durou
três anos. Foi promovido a Major Brigadeiro. Pelo que reza a
Constituição de 1988, tem o direito a promoção a Tenente Brigadeiro (General de 4 Estrelas). Sua luta permanece.
7º Ainda sob a perseguição da feroz Ditadura, em sua última prisão a
realização pelo DOI-CODI eu também fui preso como refém. Preso não,
SEQUESTRADO é o termo. Os executores da ação estavam em trajes civis e
somente um identificou-se como sargento. Caso o jornalista Vasconcelo
Quadros queira conhecer melhor a história consulte História Oral da
Revolução de 1964 - ed. Bibliex em 12 volumes. Em tempo: não li os 12
volumes, mas estou quase certo que na coletânea apenas um cassado teve
acesso a falar: meu pai. Quando o governo FHC tentou entregar o Centro
de Lançamento de Alcântara ao governo dos EUA, meu pai se destacou
entre as dezenas de militares que ajudaram o Congresso o cancelamento
de tal acordo espúrio ao interesse do Brasil.
8º É Presidente da ADNAM (Associação Democrática Nacionalista dos
Militares) que luta até pelo cumprimento da Anistia da Constituição de
1988, Presidente da AMICI, associação que luta pelos direitos dos
aeronautas impedidos de exercer a profissão decorrente da Portaria
Reservada da Aeronáutica, Vice-Presidente do MODECON (Movimento de
Defesa da Economia Nacional) fundada pelo Dr. Barbosa Lima Sobrinho e
CNDDA de defesa da Amazônia.
Senhor jornalista Vasconcelo Quadros a LIBERDADE DE IMPRENSA é um dos
baluartes da DEMOCRACIA. Meu pai com seus atuais 88 anos não parou de
lutar pela DEMOCRACIA, LIBERDADE E SOBERANIA DO BRASIL. LIBERDADE para
ele é um DOGMA SAGRADO e para mim também. Assim, constitui a ter a
Liberdade de emitir pela imprensa seus conceitos e opiniões, mas
sem deboche, falando a VERDADE, INFORMANDO seus leitores, no caso
presente, os valores que deverão ser pago aos VELHOS PILOTOS CASSADOS
estão muito aquém do que deveriam receber. É um DIREITO de quem foi
atingido num dos DIREITOS SAGRADOS DO SER HUMANO: O DIREITO AO
TRABALHO, assim reza o Código dos Direitos Humanos publicado pela ONU
em 1948, onde o Brasil é um dos seus signatários.
Quanto a mim, estou exercendo também o direito de leitor e cidadão ao
defender meu pai. Seu artigo o classifico como LEVIANO, DEBOCHADO, NÃO
VERDADEIRO AOS FATOS e mais além DESRESPEITOSO ÀS PESSOAS CITADAS.
Espero que carta seja publicada e, para tanto conto com o ético,
integro e competente jornalista WILSON FIGUEIREDO, um dos sustentáculos
do JORNAL DO BRASIL, ainda em atividade. Sou leitor de sua coluna, foi
esses grande jornalista que abriu uma página inteira do Jornal do
Brasil para uma entrevista do meu pai, logo após a queda da Ditadura
iniciada em Primeiro de Abril de 1964.
Atenciosamente
Pedro Luiz Moreira Lima
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