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Queda do Cap. Kopp
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Escrito por Michele Becchi   

São 10:15 do dia 07 de março de 1945. Oito caça-bombardeiros P-47 Thunderbolt rolam pela pista de San Giusto preparando-se para decolar. É a esquadrilha vermelha do 1º Grupo de Caça brasileiro, dividida em duas seções: a primeira comandada pelo Capitão Lafayette, e composta pelos tenentes Armando, Keller e Meneses. A segunda comandada pelo Capitão Kopp (sua promoção saiu naquele dia), e composta pelos tenentes Eustórgio, Rui e Torres. Cada avião leva nos pilones sob as asas duas bombas de 500 libras (aproximadamente 227 quilos), destinado ao entroncamento ferroviário de Lavis, um pouco acima de Trento. A missão é relativamente simples: devem fornecer escolta a bombardeiros médios B-25 Mitchell enviados para atacar o complexo ferroviário, descarregar suas próprias bombas sobre as instalações ainda intactas, e no caminho de volta atacar com metralhadoras qualquer objetivo encontrado que valha a pena. Uma hora de vôo foi suficiente para os oito Thunderbolts chegarem a Lavis, descarregar com precisão as 16 bombas sobre as linhas férreas e pegar o rumo de volta para casa. Por volta das 12:00 quando os aviões brasileiros estavam passando pelo rio Pó, eles notaram nas proximidades de Suzzara alguns depósitos de munição. Toda a área está cheia de pilhas, sabiamente camufladas com capas de grama na tentativa de escondê-las dos onipresentes aviões aliados. Embora o objetivo seja perigoso, pois está defendido por numerosas baterias de armas automáticas, a tentação é demasiadamente forte, e a esquadrilha decide atacar. O avião de Kopp, o P 47 (S/N 42-26776), código A2, é atingido gravemente. Os controles ficaram inutilizados, tudo que Kopp pôde fazer foi soltar o cinto, ejetar o canopy, virar o avião e deixar o corpo cair no vazio. O avião, agora abandonado à própria sorte cai próximo a San Bernardino, entre as fieiras de um vinhedo, como se recorda Amedeo Lasagni, na época um menino: “... havia um buraco entre os olmeiros (árvore nativa da Europa), e estava tudo cheio de pedaços de avião. As asas foram arrancadas e no meio havia a fuselagem...”

O testemunho do Tenente Rui: “... eu estava com o Kopp, o Eustórgio e o Torres. Cerca de 15 minutos atrás estavam o Lafayette, o Keller e o Meneses. O Kopp decidiu atacar um objetivo “proibido”, os alemães haviam instalado bastante antiaérea; era um depósito de munições, muito visível. De repente vi o avião do Kopp virar de dorso, fora de controle, e ele (Kopp) lançar-se com o pára-quedas, nós mergulhamos, contra as normas, e passamos a voar baixo...”. Para dar tempo de Kopp chegar ao solo e se esconder, seus companheiros correram o risco de também serem atingidos, mas contando com o fato de que assustados em serem mortos pela aviação aliada, os alemães ficaram escondidos o tempo suficiente para que o Kopp conseguisse se esconder. “... os alemães não puseram o nariz para fora... mas (na estrada) apareceram dois ciclistas e o Lafayette, que era muito estressado, virou para atacá-los. Nós lhe gritamos para não disparar, pois eles podiam ser partisanos... Lafayette não disparou e os dois puseram Kopp sobre a bicicleta e o levaram em direção a algumas árvores...”

Rui tinha razão: os dois ciclistas, e outro que não foi visto pelos aviadores, faziam parte do destacamento local da S.A.P. - Squadre di Azione Patriottica, que se puseram em movimento para alcançar o pára-quedista antes do que os nazistas. Eram Oscar Consolini (nome de guerra Drox), Giovanni Pazzi e Giuseppe Montanari, que ignorando o risco que corriam vão ao encontro do aviador brasileiro que cai lentamente em direção à fazenda Carolina, não muito longe da estrada Novellara - Guastalla. A situação é muito perigosa: o aviador seguramente foi avistado pela guarnição alemã e eles precisam agir rápido. De fato, um grupo da Brigada Negra de Novellara se aproxima rapidamente. Escondendo o pára-quedas debaixo de uma ponte, Kopp é encaminhado para a fazenda Rústica, enquanto Consolini, com excepcional sangue frio, tenta desviar os perseguidores. Assim recorda o episódio o ex-partisano sabotador Anselmo Bigi: “... Kopp teve coragem! Consolini pegou seu macacão, que era verde com um ganso nas costas (na verdade tratava-se do avestruz), se fez ver pelos fascistas e se pôs a correr entre os canais. Ficou fazendo esta brincadeira por mais de uma hora, conhecia todos os caminhos, quando cansou, foi até a beira do canal onde havia uma balança de pesca, tirou o macacão, colocou-o na balança, debaixo d’água, e esperou os fascistas. Quando eles chegaram perguntaram a ele se havia visto um fugitivo, ele disse que sim, que o havia visto passar em desabalada carreira e que ele havia ido para lá, e então os fascistas se puseram a correr em direção a Santa Vittoria!...”.

Longe momentaneamente do perigo fascista, Kopp foi levado para a casa da família Rossi, refúgio partisano por onde já haviam passado outros pilotos aliados abatidos na região. Na casa dos Rossi ocorreu um pequeno episódio que mostra o abismo, tanto cultural quanto material, que a guerra criou entre um lado e o outro do front, quem conta é Anselmo Bigi: “... na casa dos Rossi, um pouco por respeito e um pouco para levantar-lhe o moral, cozinharam uma galinha para ele. Naquela altura uma galinha era um banquete! Levam toda a galinha para Kopp, e enquanto ele come eles o observam. E o que é que o filho da puta faz? Começa a tirar a pele e a joga fora! Rossi ficou enfurecido e saiu dali! Para nós, jogar a pele fora era um pecado, havia gente passando fome em nosso país... mas para mim ele me deu sua pistola, sua bússola e os mapas de seda, tudo isto me serviu muito nas montanhas...”

Também dos restos do avião, que estava em pedaços um pouco distante, foi recuperada uma metralhadora ainda em bom estado: foram Armando Olivi e Bruno Morselli que, evitando a vigilância dos alemães, conseguiram realizar o roubo. Kopp, depois de ter passado por muitos esconderijos foi designado para o destacamento partisano “Aldo” de Rolo, aonde lhe é dado o nome de guerra “Guglielmo” e aonde fica até o dia da sua libertação, em 22 de abril de 1945. A última emoção que “Guglielmo” vive é exatamente naquele dia, na estrada Carpi – San Benedetto: Todos os destacamentos partisanos da baixada se juntaram naquela região, onde se engajaram em vários combates contra grandes formações alemãs que recuavam em direção ao rio Pó, e em um dos últimos combates o partisano “Guglielmo” se viu envolvido, pouco antes da chegada dos blindados americanos. Com a chegada dos aliados, Kopp finalmente chega à sua base em Pisa, de onde havia decolado 45 dias antes.

Sobre o Autor: Nascido em 1967 em Reggio Emilia, trabalha como operador de Computação Gráfica em uma Agência de Publicidade. Desde a infância apaixonado por aviação e história, nos tempos vagos colabora com a ISTORECO (Istituto per la STOria della REsistenza e l'età Contemporanea), faz pesquisas sobre a luta dos partisanos e guerra aérea no Norte da Itália, é Pesquisador Histórico da R.A.F. – Romagna Air Finders, uma associação voluntária para recuperação de aviões e pilotos da Segunda Guerra ainda enterrados no solo do Norte da Itália, e ainda escreve para jornais locais.

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