Quinta, 23 de Novembro de 2017
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20 MAI 1944 - Funeral do Ten. Gastaldoni no Cemitério de Corozal, Panamá

03 OUT 2007 - Há cerca de 63 anos atrás, morria no Panamá o Ten. Dante Isidoro Gastaldoni, aos 20 anos de idade. Ele fazia um vôo de treinamento em um Curtiss P-40 quando o avião perdeu altitude e chocou-se contra o solo. O 1º Grupo de Aviação de Caça sofria a sua primeira baixa entre os pilotos e começou a sentir na carne o que é uma guerra.

Seu corpo foi enterrado no Cemitério de Corozal e permaneceu lá até o final da guerra, quando então foi transladado para o Brasil. Aqui chegando a família Gastaldoni preferiu enterra-lo em Porto Alegre e não no Monumento aos Mortos da 2ª Guerra localizado no Rio de Janeiro.

Há algum tempo o Brig. Rui Moreira Lima vem insistindo com o Brig. Ivo Gastaldoni, irmão de Dante, para trazer os restos mortais do Tenente Gastaldoni para junto de seus companheiros no Rio de Janeiro. Finalmente agora em 2007 o Brig. Ivo permitiu que os restos mortais fossem transladados de Porto Alegre para o Rio de Janeiro pois, além dos apelos do Brig. Rui,  a família Gastaldoni agora está radicada no Rio de Janeiro e lá em Porto Alegre o túmulo de Dante estava abandonado.

Através dos esforços dos seus companheiros do 1º Grupo de Caça, do Comandante da Aeronáutica e do Comandante do III COMAR, este desejo virou realidade. Embora seus companheiros achassem que ele deveria ser enterrado no Monumento aos Mortos da 2ª Guerra, ao lado dos 8 aviadores que perderam a vida na Itália, a burocracia oficial entendeu que pelo fato dele ter morrido no Panamá em treinamento, não dava a ele o direito de ser enterrado no Monumento. Sendo assim, os restos mortais do Ten. Dante Isidoro Gastaldoni ficarão na não menos importante Cripta dos Aviadores, localizada no Cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

A cerimônia de translado do corpo teve início às 15:00 no Hangar do III COMAR, no centro do Rio de Janeiro. O Capelão Campos rezou uma pequena missa, dando oportunidade aos Brigadeiros Rui Moreira Lima (companheiro de Dante no Grupo de Caça) e Ivo Gastaldoni (irmão de Dante) para falarem um pouco. O Brig. Rui Moreira Lima enalteceu o caráter e a inteligência do Ten. Gastaldoni e fez um breve relato da curta, mas marcante, passagem de Dante pelo 1º Grupo de Caça. O Brig. Gastaldoni falou em tom emocionado sobre o amor que sente pela FAB e como ficou orgulhoso pela maneira como a FAB soube honrar, apesar do tempo passado, a memória do seu irmão falecido. Disse ainda que perdera um irmão de carne, mas ganhara em seus amigos do 1º Grupo de Caça, irmãos de coração. Terminou seu breve discurso pedindo aos presentes um vibrante "Viva a FAB!".

Ao retomar a palavra, o Capelão Campos convidou todos os presentes que orassem um Pai Nosso junto com ele. O público presente, composto principalmente de militares da ativa e da reserva, contou ainda com a presença de familiares do Ten. Gastaldoni. Cabe ressaltar a presença do Comandante da Aeronáutica, Brig. Saito, do Comandante do III COMAR, Brig. Pohlmann, e de ex-Comandantes da Aeronáutica e ex-Ministros. Os Veteranos do 1º Grupo de Caça também estiveram em bom número, liderados pelos Brig. Rui e Meira.

A cerimônia do III COMAR terminou com o tradicional Adelphi, comandado pelo Brig. Rui, e o canto do Carnaval em Veneza. Após o encerramento, o público foi convidado a se deslocar para os ônibus que fariam o transporte até o Cemitério São João Batista.

No Cemitério São João Batista a cerimônia foi muito rápida. Os restos mortais do Ten. Gastaldoni foram recebidos com uma salva de tiros dada pela Guarda de Honra, e posteriormente colocados sobre um altar na frente da Cripta dos Aviadores. Lá, o Capelão Campos fez uma breve prece e, ao som do Toque de Silêncio, a urna foi levada até a entrada da Cripta.

Antes da urna descer para o mausoléu, os presentes cantaram em um tom baixo, como se fosse uma canção de ninar, o Carnaval em Veneza. Enfim os restos mortais do Ten. Gastaldoni estava em sua última morada.


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