Domingo, 19 de Novembro de 2017
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"Colégio Brigadeiro Newton Braga
Rio de Janeiro, 21 de novembro de 2000
Aluna: Mariana Cardozo Simas Turma 806
Redação sobre o filme Senta a Pua!

Senta a Pua!

Estamos no ano 2000. Tenho 14 anos de idade. Um dia, como outro qualquer, a escola nos fez um convite; assistir a um filme; um documentário sobre a 2ª guerra mundial. Devo confessar que foi apenas um pretexto para passar uma tarde fora.

Quando a fita foi passando, sem dar conta, foi tomando a minha atenção. Eram depoimentos de homens que, a princípio, me pareciam comuns, como o meu avô.

Aqueles senhores contavam histórias, vividas por eles, com a voz presa e lágrimas nos olhos.

As lembranças eram relatadas de tal forma, que eu podia vê-las em seus rostos. Como se neles, outra fita estivesse sendo projetada. Como mágica.

Falavam das missões, dos riscos, dos medos. Quanto aos medos o que mais me impressionou nos relatos, foi o fato de que, muito mais do que temer a morte, eles temiam a necessidade de matar. Alguns contaram como viram amigos serem feridos, mutilados e mortos. Mal pudia tirar os olhos da tela, e muitas vezes me transportava a 1944, como se pudesse protegê-los, caso lá estivesse.

Ao término do filme, saímos do cinema maravilhados. Nossos comentários eram unânimes: "me amarrei...", "chocante", "muito bom"... Não sabíamos que a surpresa maior estaria do lado de fora. Eram alguns dos militares que fizeram parte do filme, ao vivo e a cores, falando com os alunos, respondendo a perguntas, com a mesma emoção que eu havia visto no filme. A emoção tomou conta de mim de tal forma que corri até eles e pedi autógrafos como uma "tiete" de uma banda de rock. Eles eram exatamente o que eu vi no filme, senhores, velhinhos, vovozinhos, que provocaram em mim um desejo enorme de abraçá-los, acariciar suas cabeças branquinhas e lhe s dizer: "Agora está tudo bem, você voltou, está em casa, eu vou cuidar de você, não precisa mais chorar, e sim ter orgulho por ter cumprido seu dever, representando bravamente seu país. Sei que as cicatrizes do corpo e da alma jamais sumirão, mas sejam felizes, porque hoje, no ano 2000, alguém de apenas 14 anos, na humilde pretensão de amenizar de alguma forma as tristes lembranças, tem o orgulho de poder dizer a todos vocês "muito obrigada", o Brasil se orgulha de vocês."