Domingo, 19 de Novembro de 2017
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Trata-se de uma data de grande significado para a Força Aérea Brasileira Vamos comemorá-la em breve, tendo este humilde caçador, mais uma vez, a honra de estar presente, na qualidade de Comandante da Aeronáutica.

Já está muito longe o dia em que, com 13 anos de idade, saí do Méier e fui, sozinho, assistir ao desfile triunfal da nossa Força Expedicionária Brasileira, ao longo da Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro. Fui esperar o Sgt. Mário, amigo de nossa família, freqüentador constante de nossa casa, de repente afastado para ir à guerra. O herói voltava!

O esquadrão de P-47 sobrevoou o desfile, numa velocidade espantosa para a época, eis que, no solo, as viaturas mais rápidas não trafegavam a mais de 80 km/h.

Emoção e adrenalina. Surgiu a minha vocação. Quero pertencer a esse Grupo! Não só pertenci, mas comandei. Mais que isso, tornei-me íntimo praticamente, de todos os seus integrantes. Com muitos deles ainda convivi no tempo em que servi em Santa Cruz. Mais que isso, tornei-me amigo do Brigadeiro Nero Moura, de quem ouvi fantásticas histórias sobre a participação brasileira na guerra, antes, durante e depois dela. Tudo isto contado durante o tempo em que pude comparecer aos "happy-hours" das segundas-feiras em seu apartamento da Avenida Nossa Senhora Copacabana.

Nas proximidades deste 22 de abril vem-me à memória o tanto que ouvi, contado pelos veteranos, a respeito da data que é comemorada por todos os caçadores da FAB, do presente e do passado . É uma página da História Militar deste país , mal contada e, portanto, desconhecida, especialmente, dos jovens brasileiros, sempre desinformados das virtudes militares e do papel que desempenham como guardiães dos valores nacionais.

O 22 de abril foi o dia em que os "Jambocks" contribuíram, decisivamente, para o rompimento do "front" acelerando o final do conflito, no Mediterrâneo.

A cada ano a Base Aérea de Santa Cruz abre seus portões para o público externo, reunindo, em suas tradicionais instalações, representantes de todas as Unidades de Caça, que se congregam com os veteranos e com eles brindam ao passado com esperança no futuro. E a cada ano vão deplorando a ausência daqueles que escreveram a sua história , daqueles que foram os responsáveis pela transformação doutrinária de toda a Força, em seguida ao pós-guerra, agora presentes no céu dos aviadores.

Os gritos de guerra, a "Ópera do Danilo ", o "Cancioneiro da Caça", o almoço dos oficiais e o dos graduados, as reuniões dos Comandantes e as reuniões setoriais, a vibração, a garra, o entusiasmo, a certeza, que espero que tenham, de que estamos, no Comando, empenhados em garantir-lhes o vôo que o talento do caçador brasileiro merece.

 

CARLOS DE ALMEIDA BAPTISTA
Comandante da Aeronáutica