Quinta, 23 de Novembro de 2017
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Mais ou menos em Janeiro de 1945, se não estou enganado, fui alvo de uma brincadeira, por parte de dois colegas e amigos, o Winitskowski e o Gilberto Medeiros, que quase se transformou numa tragédia.

Vínhamos, mais ou menos, uns 30 sargentos e soldados, da pista, para almoçarmos no quartel na cidade, em um caminhão americano coberto com uma enorme lona.

Vínhamos, mais ou menos, a 60 km/h, todos brincando e contando piadas diversas. Vinha eu trazendo, para ser lavado, um macacão imundo de graxa, pré-lavado com gasolina de avião, ainda molhado e com forte cheiro de gasolina.

O Wini brincando disse: "Joãozinho, vou botar fogo neste macacão!"   Pedi-lhe pelo amor de Deus que não fizesse isso, mas de nada adiantou, pois o Gilberto Medeiros, também meu amigo ("mui amigo") disse: "Não se preocupe, Joãozinho, que jogando o fósforo não vai pegar fogo".

Em tempo, o macacão estava em meu colo, todo dobrado.

Qual não foi a minha surpresa e pânico geral de todos! O Wini jogou o fósforo aceso em cima do macacão e, ato contínuo, aquele fogaréu!

O caminhão correndo em uma estrada asfaltada, motorista americano, e todos gritando: "Pare, Pare!!!".

O motorista, pensando ser uma algazarra normal, não estava nem aí! Por sorte, um iluminado que não sei quem, bateu na lataria da cabine do caminhão e, aí então, o motorista começou a frear e, antes mesmo de parar, vários sargentos já estavam se jogando para fora do caminhão, não espontaneamente mas, empurrados pelos que estavam na parte dianteira da carroceria. Estavam quase todos já intoxicados com o grande volume de fumaça e a alta temperatura no interior do caminhão.

Quando o macacão começou a queimar, joguei-o no chão da carroceria, pois estava me queimando e, jogá-lo para fora do caminhão era impossível, porque a parte traseira da carroceria estava lotada!

O fogo foi tanto que queimou o piso da carroceria e a lona da cobertura em segundos, o que provocou a formação de enorme labareda e muita fumaça, nos intoxicando a todos!

Por sorte, o Sgt. Vital, com um canivete, rasgou a parte superior da lona da cobertura do caminhão e a fumaça começou a sair em grande quantidade e, nos aliviando daquele sofrimento!

Todos que estavam mais próximos a mim, ficaram sem bigode, sobrancelhas e cabelos dos braços! Havia um forte cheiro de cabelo queimado!

Atiraram-se do caminhão ou foram forçados a tal, entre 8 e 10 sargentos, caindo uns sobre os outros. O Sgt. Bechara quebrou um braço, o Sgt. Lúcio quebrou os dentes e vários outros com ferimentos leves. Estávamos, nesse momento, passando através de um cemitério! E sobre uma ponte!

Por coincidência ou providência divina, vinha atrás do caminhão uma ambulância e, por isto, somente por isto, o socorro foi prestado em alguns segundos apenas.

Só por Deus não terminou em uma tragédia, uma brincadeira de mau gosto! Na hora de relatar a ocorrência, o Wini disse que, ao acender o cigarro, houve o acidente porque estávamos muito próximos.

Ninguém o incriminou e tudo passou como se fosse um simples acidente e não uma brincadeira de mau gosto.

Graças a Deus não houve vítimas fatais!

 

história contada pelo Sgt. João Rodriguez Filho