Sábado, 18 de Novembro de 2017
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A Queda

No momento que fui atingido estávamos atacando uma coluna de tanques e outros veículos que ao notarem a aproximação da nossa Esquadrilha tentaram se abrigar em baixo de algumas árvores e edificações.

Eu não percebi que entre os tanques existia uma bateria de 20 mm e fiz a minha aproximação sem evasivas e muito baixo. Quando a bateria abriu fogo fui severamente atingido e o meu avião pegou fogo imediatamente, tendo eu saltado de pára-quedas a altura aproximada de 500 pés (1.600 m).

Tão logo o meu, pára-quedas abriu ouvi o barulho provocado por metralhadoras no solo e logo percebi que estavam atirando contra mim.

Um tiro acertou minha perna esquerda e outros tiros acertaram em várias cordas do meu pára-quedas.

Com algumas das cordas do pára-quedas cortadas a minha descida foi acelerada e caí com muita força no telhado de uma casa de dois andares, quebrando as duas pernas e os pés.

Pouco depois chegaram à casa cinco soldados alemães comandados por um Cabo. Pediram que eu jogasse para eles a minha pistola e encostaram na beira do telhado duas escadas.

Com bastante dificuldade eles conseguiram me tirar do telhado eles me carregaram em uma maca até uma outra casa, colocando-me no chão da sala.

Os cincos alemães me trataram com toda a cortesia, principalmente o Cabo que se dizia muito orgulhoso pois havia sido a sua bateria que derrubara o meu avião.

Quando o cabo alemão se afastou para telefonar para o seu comandante a fim de relatar o ocorrido e pedir instruções chegaram à casa dois Tenentes italianos facistas, com suas camisas pretas, portando cada um uma metralhadora e informaram que foram eles que haviam atirado em mim e que eu devia ser morto ali mesmo.

Os alemães ficaram indignados e não concordaram mas como eu só podia me comunicar com eles em italiano os dois tenentes procuraram convencer aos alemães que eu era italiano lutando do lado dos aliados e me fingindo de brasileiro.

Mostrei a eles que no ombro do meu macacão de vôo estava escrito BRASIL e que na pistola que eu entregara ao cabo Anton Shimidt estava escrito Exército Brasileiro mas eles tentaram convencer aos alemães que aquilo era um disfarce para enganar em caso de ser feito prisioneiro.

Um dos alemães pediu que eu falasse "BRASILEIRO" para mostrar que eu não era Italiano. Disse algumas frases em português, ninguém entendeu nada e os alemães riram dos dois tenentes que haviam ficado me olhando.

Os italianos se irritaram com o riso dos alemães e um deles cuspiu no meu rosto. Como eu virei a cabeça e o cuspe caiu no chão, ele ficou com raiva e me deu uma bofetada.

Enquanto isto o outro Tenente apontou a sua pistola para a minha têmpora e por várias vezes fez o movimento de colocar a bala na agulha, indicando que a qualquer momento poderia atirar.