Quarta, 22 de Novembro de 2017
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Parte IV - O Hospital

Quando o dia estava clareando o nosso caminhão foi levado para uma casa à beira da estrada e estacionado dentro de uma garagem.

Pouco depois o Cabo Shimidt apareceu com um triciclo que tinha entre as duas rodas dianteiras uma plataforma de madeira.

Os alemães me tiraram da maca a me colocaram sentado na plataforma de madeira, com as pernas esticadas para frente. O Cabo Shimidt foi pedalando o triciclo e dois soldados nos acompanharam em bicicletas.

Fui Informado por eles que estavam me levando para o Hospital de Reggio Emiglia e que deveríamos levar umas duas horas até o Hospital.

Já era dia claro, provavelmente 7 ou 8 horas da manhã, mas a viagem levou muito mais tempo do que o previsto pois durante o percurso fomos sobrevoados umas seis ou sete vezes por esquadrilhas de Caça aliados inclusive por JAMBOCKS.

A cada aproximação dos aviões os alemães saíam da estrada e duas vezes o triciclo virou me atirando para fora o que provocava dores fortes em minhas pernas.

Por volta do meio dia chegamos ao Hospital, que estava ocupado pelos alemães, mas era uma construção permanente, de aspecto bonito e bastante grande.

Ao atravessarmos o portão a sentinela foi informada que eu era um oficial aviador ferido e ele disse que o comandante do Hospital já havia avisado que iríamos chegar.

Quando chagamos à porta do Hospital aproximou-se um capitão médico, se apresentou e mandou que me colocassem em uma maca e me levassem imediatamente para a sala de emergência.

Este Capitão (Dr. Lubben) falava fluentemente Francês e nesta língua passamos a nos comunicar. Ele me informou que o Hospital estava praticamente sem recursos, o Raio X não estava funcionando e não dispunha de anestésico, mas que ele era ortopedista e faria tudo para me ajudar.

Ele reduziu as minhas fraturas, quatro na perna esquerda e duas na perna direita e nos pés, disse que achava que tinha feito um bom trabalho e colocou o Gesso.

Nós levávamos, em um bolso do macacão, uma caixa de primeiros-socorros com vários medicamentos, inclusive Morfina. Por causa do medo de ser assassinado eu evitei aplicar em mim a MORFINA que aliviaria as minhas dores. Por este motivo pude dar a MORFINA ao capitão, a fim de que ele pudesse aplicá-la em algum ferido alemão que estivesse sofrendo mais do que eu.

Terminado o seu trabalho o médico mandou que me lavassem e fui conduzido para um quarto particular com uma só cama e uma grande janela com vista para a Auto-Estrada.