Sexta, 17 de Novembro de 2017
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Momentos Difíceis

Na manhã seguinte, quando a enfermeira abriu a janela do meu quarto eu pude ver na Auto-Estrada tanques e viaturas americanas passando, bem como vários grupos da Infantaria.

Pouco depois ouvi um grande barulho nos corredores do Hospital e de repente a porta se abriu, o enfermeiro e a enfermeira alemães entraram no quarto apavorados é se meteram embaixo da minha cama.

Logo atrás dos dois entraram quatro PARTIZANS armados até os dentes e perguntaram se eu era o oficial brasileiro.

Informei que sim e que estaria no comando do Hospital até a chegada ali da primeira unidade aliada.

O chefe dos PARTIZANS, que de vez em quando dava uns pontapés nos dois enfermeiros, disse que eles iam matar todos os alemães que estavam no Hospital, pois eles eram uns porcos e não mereciam continuar vivos.

Fiquei indignado tentei contornar a situação inventando que o comandante do Hospital havia me dito que antes de partir havia enviado um mensageiro ao encontro dos brasileiros informando que ele iria deixar no hospital doze alemães, dois enfermeiros e um Piloto Brasileiro.

O chefe Partizan voltou a dizer que todos os alemães eram uns porcos e que eu não podia denunciá-los.

Não vendo outra saída, passei a mão por baixo do meu travesseiro, peguei a pistola, apontei-a para o chefe e lhe disse que se alguém ali fosse assassinado, todos nós morreríamos.

Os quatros Partizans levaram um susto ao verem que eu estava armado e apontando a arma para o seu chefe.

Trocaram algumas palavras entre si, e o chefe virou-se para mim e disse: "O senhor não sabe a maldade que existe dentro de cada alemão, mas como a maioria dos que estão aqui já está quase morta nós vamos deixá-los viver em sua homenagem."

Um dos Partizans colocou sobre a minha cama uma saca com frutas e uma galinha pronta para ser cozinhada e os quatro partiram.

Este foi o momento mais duro da minha experiência e quando o meu medo foi maior.