Quinta, 23 de Novembro de 2017
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Final

Ao longo de todo este dia vi várias unidades americanas passando na Auto-Estrada e, por volta do meio dia comecei a ver grupos de soldados alemães caminhando em sentido contrário, com as mãos na cabeça e escoltados por poucos soldados americanos.

Algumas vezes passavam pequenos grupos de alemães sem escolta e duas vezes vi, da janela alguns partizans, escondidos entre as árvores metralharem soldados destes grupos e vários soldados caírem.

Durante este dia morreram seis dos feridos alemães que ainda estavam no Hospital e quando a noite já havia chegado entrou no Hospital um grupamento médico de americanos comandado por um Major que veio imediatamente falar comigo.

Cumprimentamo-nos e eu lhe disse da minha grande alegria em vê-lo. Ele me disse que sabia da divisão de Infantaria Brasileira lutando na Itália, mas não sabia nada sobre o grupo de caça e que estava satisfeito em poder me ajudar e que no dia seguinte eu seria levado para o Hospital de evacuação americano em Bologna.

Realmente, no dia seguinte, bem cedo, dois padioleiros americanos me passaram para uma maca e me levaram para uma ambulância.

Esperamos algum tempo enquanto foram colocados na mesma ambulância os três feridos alemães que ainda estavam vivos.

Ao longo do percurso que fizemos, por estradas bastante danificadas, a ambulância fez quatro paradas para descanso dos feridos e atendimento médico.

As paradas eram feitas em pequenos Hospitais de campanha, nós éramos retirados da ambulância e médicos e enfermeiros nos atendiam e confortavam.

Ao verem no meu DOG-TAG que eu era piloto, imediatamente mandavam me servir uma dose de SCOTCH.

Eu nunca bebo álcool, não por virtude, mas por não apreciar, mas não queria ser indelicado e portanto sorvia o SCOTCH fingindo apreciar.

Em consequência deste fato, quando chegamos ao nosso destino que era o Hospital de Evacuação Americano, nos arredores de Bologna eu estava me sentindo bastante bêbado e tentei disfarçar da melhor maneira possível.

Ao chegar ao Hospital de Bologna fui levado imediatamente para a sala de emergência aonde o médico pediu que eu relatasse o que havia ocorrido e imediatamente mandou que tirassem os aparelhos de gesso e me levassem para o Raio X. Pouco depois de me levarem de volta para a sala de emergência o médico veio falar comigo e disse que estava admirado com a técnica e eficiência do médico alemão, pois as minhas fraturas estavam perfeitamente reduzidas e que ele ia engessá-las novamente.

Terminado o trabalho do médico fui levado para uma grande barraca aonde havia umas vinte camas, quase todas ocupadas.

Logo depois veio falar comigo um Padre do exército americano, pois no DOG-TAG estava anotada a minha religião.

Pela manhã do dia seguinte veio me ver o comandante do hospital e me condecorou com a PURPLE HEART MEDAL o que me deixou muito orgulhoso.

À tarde o comandante voltou com um semblante muito sério e me pediu desculpas, pois haviam informado a ele que aquela condecoração só era agraciada a feridos americanos e que portanto, ele era obrigado a me pedir que eu a devolvesse.

Fiquei neste hospital dois dias e depois fui levado para o Hospital de Livorno aonde trabalhava uma equipe Médica Brasileira.

Logo após a minha chegada recebi a visita muito amiga de Rui Moreira Lima de quem voei como ala na quase totalidade de minhas missões.

Ele fez muita festa ao me ver e depois de me abraçar foi para o pé da minha cama e disfarçadamente começou a passar a mão nas minhas pernas.

Soube por ele que assim estava procedendo porque haviam dito a ele que eu havia tido uma ou as duas pernas amputadas. Rimos muito os dois com a minha felicidade a com o fato da guerra ter terminado.

Pela minha participação na guerra, recebi do governo Americano a DISTINGUISH FLYING CROSS e duas vezes a AIR MEDAL.

Texto escrito de próprio punho pelo Ten. Marcos Eduardo Coelho de Magalhães e cedido gentilmente pelo Sr. Paulo Cezar Fournier Assis, filho do Ten. Josino Maia de Assis.