Domingo, 19 de Novembro de 2017
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A Erva do Felipetto

Durante o deslocamento dos praças do 1º Grupo de Caça para o treinamento no Panamá e EUA, houve um incidente curioso com o Sargento Felipetto . Ao desembarcar em Miami, o Felipetto, como todo bom gaúcho, trouxe consigo um saco pequeno cheio de erva-mate, uma cuia com uma bombinha de prata e uma chaleira elétrica.

O americano encarregado da fiscalização separou o Felipetto dos demais dizendo que ele estava conduzindo maconha. Como ele não sabia falar inglês, expliquei para o funcionário que aquilo era um tipo de chá, mas o americano não acreditou. Felipetto, aborrecido, ameaçou fazer o chá ali mesmo, beber e dar para o americano provar. O americano chamou então o inspetor-chefe para resolver o assunto. Novamente expliquei tudo e só então, depois de um bom papo brasileiro, liberaram o Felipetto e seu material.


Racismo no Panamá

Houve um incidente desagradável numa piscina da base americana de Albrook Field no Panamá: os americanos se retiraram da piscina tão logo um suboficial brasileiro negro mergulhou nela. O fato chegou aos ouvidos de nosso comandante, Nero Moura , que então reuniu-se com o comandante da base americana e juntos consensaram que haveria um horário exclusivo para os praças brasileiros usarem a piscina.


"Portunhol" Quase Acaba em Pancadaria

No restaurante da base de Albrook Filed no Panamá um colega pediu à garçonete, num invejável portunhol, se ela poderia trazer uma colher: "Puede me 'tracer' una colher?". O nosso poliglota não sabia é que para os ouvidos da garçonete, aquela frase lhe soou como um tremendo assédio sexual, já que a palavra colher foi confundida com o verbo culear, que em espanhol quer dizer praticar sexo anal ou simplesmente sexo.

A garçonete indignada chamou imediatamente o gerente e lhe contou o que o brasileiro havia dito. O gerente já chegou querendo partir para as vias de fato. Eu, que estava ao lado do nosso poliglota, prontamente pus-me a explicar que a palavra colher em português era usada para denominar um talher (em espanhol a palavra usada é cuchara), e que não houve intenção alguma por parte do nosso colega, em desrespeitar a moça.

Após as explicações, todos ficaram mais calmos, e a paz voltou a reinar no restaurante.


Tem Japonês no Samba

Durante o período de treinamento em Aguadulce, Panamá, fui designado para trabalhar na torre de controle por saber falar inglês. Isto aconteceu porque os nossos pilotos estavam fazendo missões de defesa Canal do Panamá e havia uma certa dificuldade de comunicação entre a torre e os nossos pilotos por conta da língua.

Certo dia, ouvimos pelo canal de rádio dos aviões alguém cantando uma canção de carnaval da época. Para os norte-americanos aquilo literalmente parecia japonês. A esta altura os controladores americanos já estavam desesperados e tomando  as primeiras providências para o "ataque japonês"!

Foi então que eu intervi e lhes disse que eram simplesmente um piloto brasileiro de P-40 cantando "O que é que a baiana tem...."


O Urso Gaúcho

Na base de Suffolk houve uma grande confusão. Tudo começou quando o Sargento Felipetto arrumou uma fantasia de urso e resolveu assustar os companheiros que dormiam placidamente em suas barracas de lona. Ao aocrdar assustado, o Sargento Carlos Ferreira da Silva saiu gritando e acordou a todos no acampamento.

Por sua vez, o Sargento Estrela, que era encarregado dos problemas de guerra química, detonou durante a confusão uma bomba de efeito moral, que todavia acabou provocando um incêndio. Ele, ao ser chamado a atenção, declarou que pensou tratar-se de um exercício.


O Barbeiro de Nova York

Uma vez, perto de Nova York, eu e o Sargento Monclar alugamos um automóvel. Ao cruzar uma auto-estrada, o sinal estava vermelho para nós, porém o guarda mandou que prosseguíssemos. Como fiquei em dúvida sobre o que fazer, acabei demorando a realizar a manobra e quando entrei na auto-estrada vi um carro na preferencial se aproximando velozmente. Pensei que ia nos pegar em cheio, me apavorei e acabei pulando do carro e o deixei abandonado à sua própria sorte. O carro que vinha na preferencial conseguiu frear violentamente, deixando seu motorista e o guarda extremamente irritados conosco.

Histórias gentilmente cedidas pelo Veterano Vicente Silveira