Quinta, 23 de Novembro de 2017
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Imagem:Mateus Rocha

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Cartaz oficial do Evento "Eu Amo Voar", palco da homenagem do povo de Araraquara (SP) ao Comandante Rocha

 

Araraquara, 14 de Agosto de 2005.

Tarde de sábado, 13 de agosto, céu extremamente límpido em Araraquara, nenhuma nuvem no céu. Incrível! Vento norte forte, agosto finalmente chegou, época de pipas e papagaios, época de “Eu Amo Voar!” Últimos preparativos, as barraquinhas de comes e bebes estão sendo montadas, alguns atrasados ainda chegam e a organização tem de arrumar um cantinho para eles, afinal, quanto mais, melhor!

Um silêncio, nem parece que se trata de um aeroporto, dá para ouvir a vibração das rajadas de vento gelado nas orelhas, mas um lindo Cheyenne III, já na final, interrompe os sons da natureza com seus motores turbo-hélice. Depois do táxi, é descoberto que o piloto tem plano de vôo para o dia seguinte, a decolagem está marcada para as 16:00h, horário de decolagem da Esquadrilha da Fumaça, espaço aéreo reservado, com toda a honra para aquele Esquadrão. Por incrível que pareça nada constava no seu Notam. Eis o primeiro problema a ser enfrentado.

Preparativos exauridos, palco posicionado, barraquinhas parcialmente montadas, tendas estendidas, espaço dos patrocinadores mais que guardados. Vamos esperar a noite dar espaço para o dia em que Araraquara terá oficialmente um novo filho, e que filho, nada mais nada menos que o Cmte. Fernando Corrêa Rocha, piloto de caça na 2ª Guerra Mundial pelo Senta a Pua, que receberá o título de “Cidadão Araraquarense”. Será o dia em que a cidade amará voar.

Chegada a madrugadora aurora, relógio desperta, coração acelerado, é dia de “Eu Amo Voar!”. Céu azul, a temperatura é agradável, mas o sol ficará forte, haja protetor solar!

O Aeroporto está movimentado, extra pista, o vai e vem é no estacionamento e nas áreas ao redor. São 7:00h da manhã, o departamento de trânsito presente. Guarda Municipal em seu posto, lá vem o caminhão do Corpo de Bombeiros. Mais comes e bebes chegando e, incrivelmente, novos atrasados. 7:30h, os pára-quedistas começam a chegar, aos montes!

8:30h, um barulho de motor de baixa compressão, um ultraleve completamente carenado chega; seja bem vindo à festa! Logo em seguida um barulho de PT-6A, é o Bandeirante do 4º ETA, os skydivers dão saltos de alegria!

10:00h, o Precursor, # 7 dá seu olá! Tudo em ordem, ele permite que o restante do Esquadrão decole do Campo de Fontenelle em Pirassununga. E eles chegam, como um bando de pássaros alegres, fazendo graça, acordando de vez a cidade, soltando nos céus a tão famosa fumaça que deu nome ao esquadrão, verdadeiros fios de prata que escapam pela saída de ar da turbina aquilatando o céu dissolvendo-se com o vento como se fosse uma ilusão, mas que fica gravado para sempre na memória de quem a contempla. Começa o Eu Amo Voar.

O querido Cmte. Rocha chega, acompanhado de sua esposa, D. Lélia, e é conduzido, imediatamente, ao saguão do aeroporto onde aguarda seus convidados, refrescando-se com um copo de refrigerante.

Os convidados começam a chegar, temos mais de 25 aeronaves espalhadas pelo pátio e gramado. A Marta e o Pedrinho, do Brazilian Wingwalking, chegam de carro, o Showcat, não pôde vir. Fernando Botelho faz uma perna do vento maravilhosa com sua relíquia de cor bordô, outros convidados também executam suas aproximações. Enfim, de carro ou de avião, eles vêm saudar o Cmte. Rocha.

Já são 13:00h, diversos saltos de pára-quedas foram feitos, eles não se cansam! Já está na hora da solenidade, agora o espaço aéreo é do Cmte. Rocha!

Sob a sombra de uma frondosa árvore, uma das poucas que sobrou no aeroporto, no palanque encontram-se diversas personalidades. O Tiro de Guerra presta suas homenagens e a cerimônia é iniciada com a música das músicas, o Hino Nacional, entoado enquanto os pavilhões Nacional, Estadual e Municipal, descem presos ao corpo de pára-quedistas.

Não há palavras para descrever como todos os presentes ficaram emocionados e felizes em ver a homenagem justa realizada ao Cmte Rocha, do Senta Púa. Ele estava feliz, com todos os familiares reunidos, a esposa, as duas filhas, a neta Maria, netos e bisnetos, amigos e autoridades. Estavam presentes representantes de todos os segmentos importantes da comunidade civil e aeronáutica, pessoas que valorizam e reconhecem a importância deste nosso amigo herói, que tanto fez pelo país e quiseram contribuir para a sorte da cidade de Araraquara em recebê-lo como cidadão.

Após a cerimônia, onde o discurso do Mateus arrancou lágrimas até dos mais controlados, o Cmte. Mendes da AFA realizou outro discurso com a mesma repercussão.

Vamos agora às outras atrações. Mais pára-quedismo e uma apresentação de Kung-Fu, os jovens se divertem, a criançada não se cansa de pular no pula-pula e comer maçãs-do-amor, os pais, agraciados pelo seu dia, brincam com aviõezinhos de isopor com seus filhos. Tudo é lindo, bandeiras no céu, desfiles, policiamento, organização. Tudo perfeito!

Só falta a grande atração, o Esquadrão de Demonstração Aérea.
16:00h, 7 motores Pt-6 de 750 HP iniciam o canto lírico. O táxi é um balé e a decolagem uma revoada.

O povo vibra, câmeras são empunhas, disparadas diversas vezes e a adrenalina sobe vertiginosamente. A apresentação da querida Esquadrilha não poderia ser mais oportuna e bonita. O céu estava lindo!"

E sobem os Tucanos para a escrita no céu, já com alguns cúmulos. Ao contrário do dia anterior, o sol, já baixando, confere maior comodidade, o dia estava quente! A Esquadrilha, liderada pelo Maj. Tolosa, desaparece, ficamos apenas com as emocionantes músicas que compõem a trilha da Esquadrilha. Mas já aparecem e vêm a grande altitude e, passam por uma nuvem enorme e ligam a fumaça sincronizada: “Araraquara 188 anos”. Que emocionante! O aniversário da cidade é só na próxima semana, mas a Morada do Sol recebe do “Eu amo Voar” seus cumprimentos.

Agora o show chega ao clímax. Iniciam-se as manobras a baixa altura, a fumaça agora é dourada devido à cor do sol, os fios prateados que saíam pelo escapamento da turbina, pela manhã, agora ficam dourados, isso sim é que é banho de ouro! O Tucano parece um cometa, deixando sua cauda sobre o público, emocionando a todos, arrepiando a espinha, provocando gritos de espanto, admiração, aplausos e assovios. É uma festa; uma benção! As crianças nos ombros dos pais, os namorados de mãos dadas, às vezes um abraço surge por parte da moça, quando há um cruzamento duplo, outro quando parece que o avião não sairá de um parafuso, e um beijo quando completam a manobra do coração.

O EDA agrada a todos. São especiais. Os melhores! O show acaba e eles pousam sob sol poente, power-off, o silêncio impera. No ar, o cheiro de admiração. Nos rostos do público e dos pilotos, os sorrisos estão estampados. É hora dos autógrafos, é na camisa, no boné, na revista do próprio Esquadrão, debaixo da respectiva foto do piloto, nas agendas das mocinhas, em todo lugar! É um abraço no garotinho que amou o show. Quem sabe devido a esse dia, não se tornará, no futuro, um membro deste Esquadrão? A multidão ainda cerca os pilotos que, humildemente e com toda paciência, ainda atendem a todos. – Uma foto, por favor? – Mas é claro!

O sol se põe, o espaço aéreo é liberado, os convidados começam decolar. Um Beech King Air 350, sai para pista, o Cheyenne III, agora está de portas abertas, talvez sua tripulação e passageiros aproveitaram para assistir o show.

NOTA: Gostaríamos de agradecer imensamente ao apoio dado por Marta Bognar, Mateus Rocha e Rafael Peres, autores do texto, que nos cederam gentilmente o direito de reproduzi-lo aqui no site.

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