Sábado, 18 de Novembro de 2017
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Imagem:4º/7º GAv

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SÍMBOLO DO 4º/7º GAv cujo o lema "Sic Semper Tyrannis", que em português significa "Assim sempre com os Tiranos", foi extraído de um diálogo da peça Julius Cesar de Shakespeare no momento em que Brutus esfaqueia o Imperador Romano

 

Rio de Janeiro, 05 de Fevereiro de 2006.

Aconteceu entre os dias 30 e 31 de janeiro último a Aspirantex 2006, exercício conjunto entre Marinha e Aeronáutica. A operação, que é sempre realizada no mês de janeiro há mais de cinco décadas, tem por objetivo preparar os aspirantes da Escola Naval e futuros oficiais da Marinha Mercante para missões de proteção à Força Naval contra ataques aéreos, através de exercícios básicos de adestramento.

Durante a operação deste ano, coube ao 4º/7º GAv, esquadrão Cardeal, sediado na Base Aérea de Santa Cruz, Rio de Janeiro, desempenhar o papel de patrulha marítima (PM) e posto diretor aerotático no ar (PDATAR). No dia 30, primeiro dia das manobras, um P-95A Bandeirulha decolou com a missão de localizar a esquadra e identificar entre os sete navios envolvidos na operação o navio tanque Marajó G-27, escolhido previamente como alvo para os caças. Após encontrar o comboio próximo ao litoral de Vitória, o P-95 acionou um elemento de A-1 do esquadrão Adelfi, também de Santa Cruz, e na função de PDATAR passou a vetorar os dois caças até o alvo. No segundo dia da operação o P-95 passou a operar como aeronave de PM buscando, juntamente com a esquadra, um navio "inimigo".

Esquadrão Cardeal, novo mas experiente

Herdeiro do 1o GAE (Grupo de Aviação Embarcada), única unidade da Aeronáutica a operar num porta-aviões, o navio aeródromo Minas Gerais, o 4º/7º GAv foi criado em 31 de julho de 1998 sendo o mais novo dentre os quatro esquadrões de patrulha da FAB - os outros três são: 1º/7º GAv Orungan (Salvador, BA), 2º/7º GAv Phoenix (Florianópolis, SC) e 3º/7º GAv Netuno (Belém, PA). O 1º GAE dividia-se em dois esquadrões, o 1º/1º que voava os P-16A/E Tracker a partir do Minas Gerais desempenhando a função de ASW (anti-submarine war ou guerra anti-submarino) e o 2º/1º que utilizava, a partir do final da década de 1970, o P-95A Bandeirulha efetuando as missões de patrulha e esclarecimento marítimo. Essas aeronaves foram repassadas ao 4º/7º GAv quando de sua criação e consenquente dissolução do 1º GAE mantendo-se operacionais até o presente.

O Cardeal patrulha uma extensão que compreende do litoral Sul da Bahia até o litoral paulista, área responsável por cerca de 80% a 90% do tráfego marítimo brasileiro. Como missão secundária o esquadrão também pode assumir a função de busca e salvamento (SAR).

Sua casa é o gigantesco hangar do Zepellin na Base Aérea de Santa Cruz, onde estão alojados suas intalações operacionais, sala de briefing, inteligência e demais facilidades. Juntamente com o Cardeal, o hangar abriga também aeronaves em manutenção dos esquadrões de caça 1º/1º e 2º/1º GAvCa e 1º/16º GAv.

 

Bandeirulha, o companheiro dos Cardeais

Assim como aconteceu com os demais esquadrões de patrulha, o 4º/7º GAv tem no Bandeirulha sua cara operacional. Tendo entrado em operação com a Aeronáutica em 10 de abril de 1978 junto ao esquadrão Orungan na Base Aérea de Salvador, o EMB-111 como é designado pela Embraer, é a quarta versão do Bandeirante operada pela Força Aérea - as outras três são o C-95 para transporte, EC-95 para aferição de sistemas de navegação de aeródromos (operado pelo GEIV no Rio de Janeiro) e o R-95 de reconhecimento fotográfico (operado pelo 1/6º GAv - Esquadrão Carcará em Recife). Dentre todas as versões, o P-95 foi a que sofreu maior número de modificações em relação ao projeto original.

As diferenças externas marcantes começam pelo nariz prolongado onde fica abrigado o radar AN/APS-128. Ele é capaz de detectar alvos na superfície a mais de 50 milhas náuticas sendo operado por um membro da equipe de vôo conhecido como cordenador tático (COTAT). Outra característica externa são seus tanques extras de combustível localizados na ponta das asas aumentando a autonomia dos 1.900 km para 2.700 km. O último diferencial externo entre o P-95 e o C-95 são os quatro pontos fixos sob as asas para instalação de lançadores HVAR (high velocity air rockets ou foguetes aéreos de alta velocidade) modelo SBAT-70/7 comportando oito foguetes de 70mm cada para ataque a embarcações de superfície.

Internamente, a diferença fica por conta do par de motores canadenses Pratt & Whitney PT-6A-34. O -34 é capaz de desenvolver 750 shp contra 680 shp dos -27 usados nos Bandeirantes padrão resultando em ganho na velocidade de cruzeiro (393 km/h do P-95 contra 341 km/h do C-95).

Além da FAB o P-95 também é operado por Chile e Gabão. A Aviação Naval Argentina utilizou dois Bandeirulhas em regime de leasing durante a Guerra das Falklands/Malvinas na Escuadrilla de Exploración y Reconocimiento entre maio e junho de 1982.

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