Quarta, 22 de Novembro de 2017
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Imagem:Do-24.com

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Rio de Janeiro, 05 de Março de 2006

Quatro dias após completar 441 anos, a cidade do Rio de Janeiro recebeu um presente inusitado: a reinauguração da hidropista do Santos Dumont. Paralela as duas pistas de pouso do aeroporto, a hidropista é formada por uma pista principal de 800m de comprimento por 120m de largura e duas pistas auxiliares, uma em cada lado da principal, com 1200m de comprimento por 40m de largura. Inaugurada em 1926, a hidropista teve seu maior movimento até 1943, em plena Segunda Guerra. A partir de então, com o tráfego aéreo com a Europa prejudicado e, após a guerra o aparecimento dos grandes aviões de passageiros, os hidroaviões perderam espaço na aviação comercial e a pista viu seu movimento cair drasticamente até o final de suas operações em 1957.

 

Primeiro pouso em 49 anos

Em sua passagem pelo Rio durante uma viagem ao redor do mundo, o Dornier Do-24ATT batizado de "Latina" se tornou o primeiro avião em quase cinquenta anos a pousar na hidropista. Com enorme significado histórico para a aviação brasileira, pois o primeiro avião da Varig em 1927 era um hidroavião Do-15 da fábrica alemã, o Cmdt. Iren Dornier, neto de Claudius Dornier fundador da fábrica e tendo a seu lado o co-piloto brasileiro Luiz Flávio Basso Pedrosa amerrisou suavemente o tri-motor as 10:20h seguindo até o meio da hidropista onde embarcações da Marinha e particulares os aguardava.

O "Latina" por si só já é uma atração a parte. Tendo voado pela primeira vez em 1937 resultado de uma encomenda para a Real Marinha Holandesa, o modelo que realizou o pouso neste domingo foi construído em 1944 e retirado de serviço em 1970 quando então era usado pela Espanha na função de busca e salvamento. Entre 1979 e 1983 foi reconstruído pela Dornier visando testes para sua introdução na aviação comercial. O projeto acabou cancelado e a aeronave foi transferida para o Deutsch Museum em Munique, Alemanha. Em 2003 foi comprado por Iren Dornier e levado desmontado até as Filipinas, sua nova base onde viria a ser remontado e certificado para vôo pelas autoridades locais. Em fevereiro de 2004 iniciou sua volta ao redor do mundo.

Após quase duas horas pousado na hidropista o Do-24 levantou vôo em direção ao Cristo Redentor onde fez algumas passagens e proseguindo pela orla até o final da praia da Barra da Tijuca quando então deu meia volta e rumou mais uma vez até o Santos Dumont, dessa vez para duas passagens rasantes pela pista do aeroporto. Depois rumou para o Museu Aeroespacial no Campo dos Afonsos, onde está baseado, com a certeza de missão cumprida.

O Sentando a Pua! gostaria de agradecer ao Clube Esportivo de Vôo - CEU (Escolas UltraPilot e Alpha Bravo) por sua cooperação na produção desta reportagem.

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