Sábado, 18 de Novembro de 2017
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Em uma guerra, todos são heróis muitos (quase todos) anônimos.

Longe, muito longe do papo de esquina, do churrasco, do açaí, longe do feijão tropeiro, da água de coco, longe do seu chão, da família, do outro lado do Atlântico, lá estavam para defender, com dignidade e consciência, a Pátria onde nasceram.

A ação do 1º Grupo de Aviação de Caça, na Itália, durante a Segunda Grande Guerra é uma página ímpar na história da Aviação Militar brasileira.

Ao lado de Nero Moura, Motta Paes, Dornelles, Canário, também estavam muitos joões, álvaros, josés e sebastiões, que, como anônimos artífices, participaram daquela odisséia.

O máximo de aviões disponíveis no estacionamento. Assistindo a decolagem, lá estava o Flores, manutenção de pista, que ficava ansioso aguardando o regresso dos aviões. Alguns regressavam bem danificados e eram levados para o hangar, e lá estavam Koerbel, Prediliano, Vital, Bechara, Aquino, Brito e Campitelli, virando redondo até o avião ficar pronto.

Para completar o serviço, o P-47 precisava de plástica e maquiagem. Entrava então a equipe de chapas, metais e pintura e lá estavam, Oliveira, Thadeu, Mangueira, Chicó, Cláudio, Edgar, Arruda, e Perraceta.

Precisou de peças para o serviço, aparecia a turma de suprimento, tendo à frente o Bochetti; controlando o estoque, Rego Barros; entregando o material, Portela, Gabriel, Da Silva e Bracco, na organização e limpeza da barraca de suprimento.

E o avião voltava para a pista, e precisava ser reabastecido, este e todos os que voltavam de missão. A frente deste setor estavam Souza, Jacoboski, Carneiro, Nazareth, Araújo, Almeida e Sartori (vulgo Paletó).

Ordem de missão pronta, está na hora de armar os aviões; Jesus, Prado e Costa, da Seção de Armamento, executavam esta tarefa.

Disparo de hélice na decolagem, nunca; o Regis e o Contente estavam lá e não deixavam acontecer.

Garcia, Fernando e Eliezer cuidavam dos instrumentos de vôo, e os pilotos podiam acreditar no que liam.

Comunicações e Controle de Tráfego, importantíssimos em condições normais, o que dizer em condições normais de emergência, com essa missão estava o Campagner.

A manutenção de equipamentos é aquele serviço que só aparece quando alguma coisa falha, por isso o Santos pouco era acionado; tudo funcionava certinho.

O Hertel sempre cuidando da pista, do estacionamento e da movimentação de aviões.

A área era muito grande: paiol, combustível, pista, barracas, e a turma de segurança, com Dantas e Gondim à frente, com dinamismo e responsabilidade, cuidavam para que todos trabalhassem em paz.

Os donos da burocracia, a seção de pessoal, fichas, alterações, dispensas etc.: hoje estamos escrevendo este trabalho porque o Aluísio, o Edson e o Tiber lá estavam.

Os flight chief davam a palavra final: reabastecimento, armamento, instrumentos, rádio, tudo OK - o avião está pronto para a missão - Bourdon, Bálsamo e Setta passaram por maus momentos, a confiança entre piloto e manutenção era fundamental e existia.

Tomando como exemplo o trabalho anônimo desses falcões brasileiros nos céus e terras do TO da Itália, ficam algumas lições a aprender: a coragem, o desprendimento e a união desses homens valorosos, que, esquecidos de suas ambições, sofrimentos e agruras particulares, souberam firmar e dirigir suas energias para atingir um objetivo; souberam, com maestria, é certo, esquecer a distância que os separava de sua terra natal e que os fazia encarar gente de estranhas línguas; souberam, sem dúvida, encontrar o significado da palavra “soldado”, aproximando-a do que representa ser cidadão brasileiro. Com toda a certeza os olhos desses homens marejam quando escutam o Hino Nacional e vêem nossa bandeira tremular.

Texto Adaptado da Revista da Semana, de 12 de maio de 1945.